quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Circuncisão, cultura, direitos das crianças e da família

Circuncisão oral

Nova Iorque às voltas com o estranho ritual da circuncisão com sucção oral Jorge Dan Lopez, Reuters

A câmara de Nova Iorque cedeu às pressões da comunidade rabínica que defende a ancestral prática da “circuncisão com sucção oral” e prepara-se para votar o fim da obrigatoriedade de uma autorização por escrito antes do ritual do metzitzah b’peh.

O presidente da câmara nova-iorquina, Bill de Blasio, estendeu por três meses uma moratória que dispensa os mohels (judeus ultra-ortodoxos que praticam o ritual da cincuncisão com sucção oral) de obterem o consentimento por escrito dos pais ou tutores das crianças.

Uma solução legislativa nesse sentido deverá ser lavrada em junho, quando a matéria for votada. Membros da comunidade rabínica e médicos vão trabalhar em simultâneo para erradicar eventuais perigos para a saúde implicados no ritual.Os mohels defendem-se com um manual de rigorosos procedimentos que vão desde a esterilização das mãos, testes médicos de herpes e lavagens bocais.

Trata-se de uma situação que coloca frente-a-frente a ancestralidade de uma prática, que é defendida pela comunidade ultra-ortodoxa, com os problemas médicos assinalados em várias crianças desde o ano de 2000.

De acordo com o registo das autoridades de saúde de Nova Iorque, nestes 15 anos pelo menos 17 bebés terão sido infetados com herpes durante o ritual em que o sangue do seu pénis é sugado pelos mohels.

Os ultra-ortodoxos argumentam que a causa poderá não estar devidamente atribuída. É um caso que poderá obrigar a uma inquirição mais científica, exigindo amostras de AND dos mohels. Uma comissão de rabinos identifica o sacerdote que praticou o ritual. Provando-se que determinado mohel infetou a criança, ficará impedido de voltar a celebrar o metzitzah b’peh.

Já em 2012 a questão havia sido levantada, era então mayor da cidade Michael Bloomberg. A administração de Bloomberg procurou impor a autorização por escrito, um documento em que os pais ou responsáveis pelas crianças confirmavam ter conhecimentos dos riscos que a prática da circuncisão com sucção implicava para os seus bebés.

A medida enfrentou a recusa dos ultra-ortodoxos e uma decisão definitiva acerca destes procedimentos arrasta-se há três anos.

Sem comentários:

Enviar um comentário