-Ah! minha querida tia - respondeu-lhe a princesa em voz suave e depois de lançar um rápido olhar ao papá. Conheço a sua opinião acerca do assunto … Permita-me que não esteja de acordo consigo …Apesar de todas as reflexões e de tudo o que tenho lido, a experiência convenceu-me da necessidade de actuar pelo medo … Para fazer alguma coisa das crianças é preciso assustá-las. [..] Pode dizer o que quiser, mas um rapaz, até aos doze anos, ou mesmo até aos catorze não passa de uma criança … para as raparigas, já o caso é diferente […].
- Sim, está muito bem, minha querida - respondeu a babuchka dobrando os meus versos e guardando-os na caixa, como se, depois destas palavras, considerasse a princesa indigna de os conhecer: - Está muito bem, mas diga-me apenas que sentimentos delicados pode esperar das crianças, depois de tudo isso?"
"Feliz tempo, o da infância, que passou e não volta mais! Quem não há-de amar a sua recordação, que purifica e eleva a alma e nos dá as mais belas alegrias".
Leão Tolstoi
Infância
Livraria Civilização, série popular n.º 47
1955

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