“FAMÍLIAS RECONSTRUÍDAS. A FIGURA DA MADRASTA: DOS CONTOS INFANTIS ÀS REPRESENTAÇÕES DAS CRIANÇAS”
CARREIRA, Marta Almeida
Doutoranda de Sociologia
CIES/ ISCTE – IUL marta_cristina_carreira@iscte-iul.pt
Resumo
As crianças são um dos actores envolvidos nesta reconstrução que não é imediata, mas que se caracteriza por um processo adaptativo, contínuo, por vezes bastante prolongado e nem sempre de fácil aceitação por implicar simultaneamente perdas, ganhos e novas vivências. Enquanto sujeitos activos da sua vida, e da vida dos que as rodeiam, as crianças olham o mundo e interpretam-no com uma perspectiva própria, enriquecida de sentido e que até há pouco tempo não era considerada válida ou sequer existente. Baseados neste olhar infantil, com maturidade suficiente para explicar e compreender o seu mundo, analisamos as representações das crianças sobre a madrasta.
Os contos infantis analisados, como “A Branca de Neve”, “A Cinderela”, entre outros, mostram-nos a negra imagem da madrasta, tão consentânea com expressões idiomáticas da língua portuguesa: “Vida madrasta”, significando que a vida foi dura ou recheada de tribulações. Mas afinal, será que é assim que as crianças vêm a figura da madrasta?
Os discursos escritos de dezanove alunos do 3o ano do 1o ciclo do ensino básico trazem-nos uma perspectiva desmistificada do que é ser madrasta no século XXI. Nesta amostra incluem-se 13 crianças em famílias nucleares, 5 em famílias monoparentais maternas e uma numa família adoptiva. Da análise de conteúdo das composições escritas encontramos três categorias: a madrasta boa, avaliada desta forma por todas as raparigas, sete, e cinco rapazes; a madrasta má, referida maioritariamente por rapazes; e a madrasta enquanto figura materna aceite pelas crianças mas numa posição não superior à da mãe.
Um agradecimento a José António Fialho, que descobriu o texto.
Ler todo o texto aqui:http://www.aps.pt/vii_congresso/papers/finais/PAP0462_ed.pdf
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